Utilização de recursos de saúde no mundo real e custos associados ao câncer de pulmão no mercado privado brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.66305/jbas.v5i3.6Palavras-chave:
Cancer de pulmão, Custos assistenciais, Quimioterapia do câncer, Radioterapia, ImunoterapiaResumo
OBJETIVOS: O câncer de pulmão (CP) é a principal causa de mortalidade por câncer no mundo e é o quarto câncer mais incidente no Brasil. O CP é frequentemente diagnosticado em estágios avançados e está associado a despesas diretas de alto custo. Este estudo tem como objetivo avaliar os dados epidemiológicos e o custo do CP no mercado privado brasileiro. MÉTODOS: Estudo retrospectivo de pacientes identificados com CP (CID-10 código C34) entre jan/2019 e dez/2024 em uma base nacional de dados de sinistros de planos de saúde com 60.824 beneficiários. O desfecho primário concentrou-se na análise da mediana de utilização de recursos de saúde relacionados ao câncer e dos custos diretos por paciente por ano após o diagnóstico, até a descontinuação da quimio/imunoterapia ou radioterapia devido a toxicidades relacionadas ao tratamento, progressão da doença ou óbito. O estadiamento da doença (TNM UICC 1988) no momento do diagnóstico e início do tratamento foi avaliado. Curvas de Kaplan–Meier foram utilizadas para estimar as taxas acumuladas de sobrevida. Testes do qui-quadrado, exato de Fisher e t de Student para medidas categóricas/contínuas foram empregados. Significância estatística para p<0,05. RESULTADOS: Em nossa análise, a taxa de prevalência padronizada por idade do CP foi de 260 casos por 100.000 habitantes (72 anos; 53% mulheres). Taxas anuais de procedimentos: consultas 8,9, atendimentos em pronto-socorro 2,5, exames 115,2 e internações 1,5. A média de permanência hospitalar foi de 10,1 dias. Os custos anuais de saúde foram de US$ 52.029/paciente. Dos medicamentos reembolsados, 60,1% foram anticorpos monoclonais anti-PD-1/PD-L1, 9,3% anticorpos monoclonais anti-VEGF/VEGFR, 6,3% inibidores de tirosina-quinase do EGFR, 3,9% agentes antimetabólitos antineoplásicos, 1,7% anticorpos monoclonais anti-EGFR e outros (18,7%). A taxa acumulada de sobrevida em 5 anos foi de 20,1%. CONCLUSÕES: O estudo destaca a alta prevalência do CP, com impacto epidemiológico significativo, diagnóstico em estágios avançados e baixa sobrevida no sistema de saúde privado brasileiro. O manejo intensivo em recursos gera custos substanciais, principalmente relacionados a terapias-alvo moleculares e imunoterapias, que, apesar dos altos custos, apresentam resultados significativamente melhores que a quimioterapia. Enfrentar esse duplo desafio requer melhoria no rastreamento, tratamentos personalizados e alocação custo-efetiva de recursos para reduzir o ônus econômico e melhorar os desfechos clínicos.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Joao Paulo Reis Neto, Juliana Martinho Busch, Marcos Santos, Ana Gelatti

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os artigos publicados não expressam necessariamente a opinião da revista e são de responsabilidade exclusiva dos autores.