Custo-efetividade e impacto orçamentário do belantamabe mafodotina como tratamento de segunda linha ou posterior para o mieloma múltiplo recidivado ou refratário (MMRR): uma perspectiva da saúde suplementar brasileira.
DOI:
https://doi.org/10.66305/jbas.v6i1.36Palavras-chave:
Mieloma Múltiplo, Belantamabe mafodotina, Isatuximabe, Daratumumabe, Custos e Análise de Custo, Saúde SuplementarResumo
OBJETIVO: Estimar a razão de custo-utilidade incremental (RCUI) e o impacto orçamentário da adoção do belantamabe mafodotina-pomalidomida-dexamethasona (BPd) em comparação com isatuximabe-carfilzomibe-dexametasona (IsaKd) e daratumumabe-carfilzomibe-dexametasona (DaraKd) em pacientes previamente tratados com pelo menos um regime contendo lenalidomida sob a perspectiva da saúde suplementar brasileira.
MÉTODOS: Foi desenvolvido um modelo de custo-efetividade de sobrevida particionada, com quatro estados de saúde — livre de progressão em tratamento, livre de progressão fora de tratamento, doença progressiva e óbito — para comparar BPd com IsaKd e DaraKd. Custos e desfechos foram descontados à taxa anual de 5,0%. Dados de eficácia do BPd foram provenientes do estudo DREAMM-8, enquanto os efeitos relativos entre tratamentos (vs. IsaKd e DaraKd) foram estimados por meio de meta-análise em rede. Apenas custos médicos diretos, como aquisição e administração de medicamentos, acompanhamento clínico, manejo de eventos adversos e cuidados de fim de vida foram incluídos. Os custos foram obtidos a partir de fontes oficiais brasileiras (CMED e CBHPM). Análises de cenário e de sensibilidade univariada foram conduzidas.
RESULTADOS: Ao longo de um horizonte temporal de vida inteira, BPd se mostrou uma estratégia dominante sobre os comparadores, apresentando ganho incremental de 0,35 e 0,20 Anos de Vida Ajustados pela Qualidade (QALYs) em comparação com IsaKd e DaraKd, respectivamente. Estes ganhos clínicos foram acompanhados por economias de custos totais no valor de R$ 777.601 (IsaKd) e R$ 1.069.323 (DaraKd). Na análise de impacto orçamentário, a adoção de BPd demonstrou economia de recursos desde o primeiro ano de R$ 3,2 milhões, atingindo economia cumulativa de R$ 175 milhões em cinco anos.
CONCLUSÕES: BPd mostrou-se uma estratégia dominante em comparação com IsaKd e DaraKd para pacientes com MMRR em segunda linha ou posteriores no sistema de saúde suplementar brasileiro, proporcionando melhores desfechos clínicos a um menor custo total e com relevante potencial de economia de recursos.
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