Custo-efetividade e impacto orçamentário do belantamabe mafodotina como tratamento de segunda linha ou posterior para o mieloma múltiplo recidivado ou refratário (MMRR): uma perspectiva da saúde suplementar brasileira.

Autores

  • Straus Tanaka
  • Gabriel Marasco Origin
  • Marcella Alemar
  • Marcela Antonio
  • Graziela Bernardino

DOI:

https://doi.org/10.66305/jbas.v6i1.36

Palavras-chave:

Mieloma Múltiplo, Belantamabe mafodotina, Isatuximabe, Daratumumabe, Custos e Análise de Custo, Saúde Suplementar

Resumo

OBJETIVO: Estimar a razão de custo-utilidade incremental (RCUI) e o impacto orçamentário da adoção do belantamabe mafodotina-pomalidomida-dexamethasona (BPd) em comparação com isatuximabe-carfilzomibe-dexametasona (IsaKd) e daratumumabe-carfilzomibe-dexametasona (DaraKd) em pacientes previamente tratados com pelo menos um regime contendo lenalidomida sob a perspectiva da saúde suplementar brasileira.

MÉTODOS: Foi desenvolvido um modelo de custo-efetividade de sobrevida particionada, com quatro estados de saúde — livre de progressão em tratamento, livre de progressão fora de tratamento, doença progressiva e óbito — para comparar BPd com IsaKd e DaraKd. Custos e desfechos foram descontados à taxa anual de 5,0%. Dados de eficácia do BPd foram provenientes do estudo DREAMM-8, enquanto os efeitos relativos entre tratamentos (vs. IsaKd e DaraKd) foram estimados por meio de meta-análise em rede. Apenas custos médicos diretos, como aquisição e administração de medicamentos, acompanhamento clínico, manejo de eventos adversos e cuidados de fim de vida foram incluídos. Os custos foram obtidos a partir de fontes oficiais brasileiras (CMED e CBHPM). Análises de cenário e de sensibilidade univariada foram conduzidas.

RESULTADOS: Ao longo de um horizonte temporal de vida inteira, BPd se mostrou uma estratégia dominante sobre os comparadores, apresentando ganho incremental de 0,35 e 0,20 Anos de Vida Ajustados pela Qualidade (QALYs) em comparação com IsaKd e DaraKd, respectivamente. Estes ganhos clínicos foram acompanhados por economias de custos totais no valor de R$ 777.601 (IsaKd) e R$ 1.069.323 (DaraKd). Na análise de impacto orçamentário, a adoção de BPd demonstrou economia de recursos desde o primeiro ano de R$ 3,2 milhões, atingindo economia cumulativa de R$ 175 milhões em cinco anos.

CONCLUSÕES: BPd mostrou-se uma estratégia dominante em comparação com IsaKd e DaraKd para pacientes com MMRR em segunda linha ou posteriores no sistema de saúde suplementar brasileiro, proporcionando melhores desfechos clínicos a um menor custo total e com relevante potencial de economia de recursos.

Referências

[1] Kumar SK, Rajkumar V, Kyle RA, et al. Multiple myeloma. Nat Rev Dis Primers 2017;3:17046. https://doi.org/10.1038/nrdp.2017.46.

[2] Siegel RL, Miller KD, Wagle NS, et al. Cancer statistics, 2023. CA Cancer J Clin 2023;73:17–48. https://doi.org/10.3322/caac.21763.

[3] Brasil. Ministério da Saúde. Painel Oncologia Brasil: dados epidemiológicos do câncer no Sistema Único de Saúde. 2021. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/painel-oncologia-brasil (accessed January 19, 2026).

[4] Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Diretrizes diagnósticas e terapêuticas do mieloma múltiplo. Brasília: Ministério da Saúde; 2023. 2026. https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2023/diretrizes-diagnosticas-terapeuticas-do-mieloma-multiplo (accessed January 19, 2026).

[5] Rajkumar SV. Multiple myeloma: 2020 update on diagnosis, risk‐stratification and management. Am J Hematol 2020;95:548–67. https://doi.org/10.1002/ajh.25791.

[6] Munshi NC, Anderson LD, Shah N, et al. Idecabtagene Vicleucel in Relapsed and Refractory Multiple Myeloma. New England Journal of Medicine 2021;384:705–16. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2024850.

[7] Gandhi UH, Cornell RF, Lakshman A, et al. Outcomes of patients with multiple myeloma refractory to CD38-targeted monoclonal antibody therapy. Leukemia 2019;33:2266–75. https://doi.org/10.1038/s41375-019-0435-7.

[8] Moreau P, Kumar SK, San Miguel J, et al. Treatment of relapsed and refractory multiple myeloma: recommendations from the International Myeloma Working Group. Lancet Oncol 2021;22:e105–18. https://doi.org/10.1016/S1470-2045(20)30756-7.

[9] Hungria V, Maiolino A, Pessoa de Magalhães RJ, et al. Emerging Real-World Treatment Patterns and Clinical Outcomes of Multiple Myeloma in Argentina and Brazil: Insights from the TOTEMM Study in the Private Healthcare Sector. Current Oncology 2025;33:16. https://doi.org/10.3390/curroncol33010016.

[10] Lonial S, Lee HC, Badros A, et al. Belantamab mafodotin for relapsed or refractory multiple myeloma (DREAMM-2): a two-arm, randomised, open-label, phase 2 study. Lancet Oncol 2020;21:207–21. https://doi.org/10.1016/S1470-2045(19)30788-0.

[11] Dimopoulos MA, Beksac M, Pour L, et al. Belantamab Mafodotin, Pomalidomide, and Dexamethasone in Multiple Myeloma. New England Journal of Medicine 2024;391:408–21. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2403407.

[12] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência T e IEstratégicos. Diretrizes metodológicas: diretriz de avaliação econômica. 2014.

[13] Richter J, Beksac M. Indirect treatment comparison of belantamab mafodotin + pomalidomide + dexamethasone versus comparator regimens in lenalidomide-exposed relapsed/refractory multiple myeloma. Blood 2025;146:7567.

[14] Rozman LM. Estimativa de custos de pacientes com câncer em unidade de cuidados paliativos. 2018. Universidade de São Paulo, 2018.

[15] Chari A, Martinez-Lopez J, Mateos M-V, et al. Daratumumab plus carfilzomib and dexamethasone in patients with relapsed or refractory multiple myeloma. Blood 2019;134:421–31. https://doi.org/10.1182/blood.2019000722.

[16] Leypoldt LB, Tichy D, Besemer B, et al. Isatuximab, Carfilzomib, Lenalidomide, and Dexamethasone for the Treatment of High-Risk Newly Diagnosed Multiple Myeloma. Journal of Clinical Oncology 2024;42:26–37. https://doi.org/10.1200/JCO.23.01696.

[17] Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Sala de situação n.d. https://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Perfil_setor/sala-de-situacao.html (accessed February 4, 2026).

[18] Ferlay J, Ervik M, Lam F, et al. Global Cancer Observatory: Cancer Today – Brazil fact sheet (GLOBOCAN 2022) 2024.

[19] de Moraes Hungria VT, Martínez‐Baños DM, Peñafiel CR, et al. Multiple myeloma treatment patterns and clinical outcomes in the Latin America Haemato‐Oncology (HOLA) Observational Study, 2008–2016. Br J Haematol 2020;188:383–93. https://doi.org/10.1111/bjh.16124.

[20] Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Consulta Pública no 118, de 2 de outubro de 2023 2023.

[21] Trudel S, Beksac M, Pour L, et al. Deep responses and durable outcomes in patients treated with belantamab mafodotin plus pomalidomide and dexamethasone from long-term follow-up of the Phase 3 dreamm-8 study. Blood 2025;146:2264–2264. https://doi.org/10.1182/blood-2025-2264.

[22] Mateos M-V, Trudel S, Quach H, et al. Modification of belantamab mafodotin dosing to balance efficacy and tolerability in the DREAMM-7 and DREAMM-8 trials. Blood Adv 2025;9:5708–19. https://doi.org/10.1182/bloodadvances.2025016949.

[23] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Bula do medicamento Blenrep (belantamabe mafodotina) 2025.

[24] National Institute for Health and Care Excellence (NICE). TA695: Evidence review. 2021. https://www.nice.org.uk/guidance/ta695/evidence (accessed March 24, 2026).

[25] Attal M, Richardson PG, Rajkumar SV, et al. Isatuximab plus pomalidomide and low-dose dexamethasone versus pomalidomide and low-dose dexamethasone in patients with relapsed and refractory multiple myeloma (ICARIA-MM): a randomised, multicentre, open-label, phase 3 study. The Lancet 2019;394:2096–107. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)32556-5.

[26] Hungria V, Gaiolla R, Galvez K, et al. Health care systems as determinants of outcomes in multiple myeloma: final results from the Latin American MYLACRE study. Blood Adv 2025;9:1293–302. https://doi.org/10.1182/bloodadvances.2024013838.

Downloads

Publicado

25-05-2026

Como Citar

Tanaka, S., Marasco, G., Alemar, M., Antonio, M., & Bernardino, G. (2026). Custo-efetividade e impacto orçamentário do belantamabe mafodotina como tratamento de segunda linha ou posterior para o mieloma múltiplo recidivado ou refratário (MMRR): uma perspectiva da saúde suplementar brasileira. Jornal Brasileiro De Auditoria Em Saúde, 6(1), e2606014. https://doi.org/10.66305/jbas.v6i1.36